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Leãozinho

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A Cadeia Produtiva

   

Reis, rainhas, condes, duques e barões viviam em seus castelos como se a vida fosse uma eterna festa. Claro que de vez em quando havia uma guerra, mas de modo geral, a nobreza passava o tempo caçando, fazendo fofocas na Corte ou inventando casos de amor, enquanto esperava a próxima festa.

Aí você pode perguntar: mas então como é que eles comiam, quem construía os seus castelos, quem fiava e tecia o algodão e a seda de suas roupas? A resposta é uma só: o povo; única classe que trabalhava naquele tempo.

Sim, porque na época do feudalismo, esta que nós estamos lembrando, havia três classes sociais: a nobreza, formada pelos reis, condes, duques, marqueses e barões; o clero,  com o Papa, os cardeais os bispos e os padres; e o povo, que era a grande massa de camponeses, artesãos, pequenos comerciantes, cidadãos livres (os burgueses),etc.

A nobreza vivia, principalmente, da renda de suas terras, alugadas aos camponeses para que esses cuidassem da lavoura e do gado. A maior parte do que a terra produzia ficava com o nobre, que em troca protegia os camponeses contra invasores inimigos.

Naquela época, como você pode imaginar, um camponês tinha que trabalhar de sol a sol para obter o mínimo necessário para a sua sobrevivência e de sua família. E ele ainda tinha que guardar parte de sua produção para trocar por ferramentas usadas na agricultura.

Era uma vida muito dura para os camponeses, em todos os países da Europa. E em algumas regiões a situação deles piorava ainda mais, pois eram simplesmente escravos.

Mas como dissemos antes, o povo não era formado apenas pelos camponeses. Havia cidadãos livres, que moravam em vilarejos, nas pequenas cidades, chamadas burgos.

Os burgueses, ou seja, os moradores dos burgos,  foram os primeiros a contestar o direito que os nobres tinham de explorá-los. É porque, apesar de viverem fora das terras dos nobres, eles também tinham que dar sua contribuição para manter os verdadeiros exércitos que viviam nos castelos, sempre prontos para a guerra, que só interessava aos nobres, que assim, conquistavam mais terras e ficavam cada vez mais ricos.

E qual era o papel da Igreja nessa história toda? Bem, a Igreja sempre fora aliada da nobreza e até proclamava que o poder dos reis era divino. Em troca desse apoio, o reis mantinham a Igreja e colocavam seus exércitos a serviço do Papa.

Mas as vilas dos burgos foram crescendo, formando um próprio sistema de defesa contra a invasão de inimigos,  que aos poucos ia se livrando da dominação dos nobres que continuavam em seus castelos envolvidos com suas festas, caçadas e batalhas, e não percebiam que as coisas estavam mudando ao seu redor. Desprezavam até os burgueses mais ricos; aqueles que haviam acumulado uma fortuna imensa com a compra e venda de mercadorias produzidas pelos artesãos e camponeses, até mesmo de outros países. As revoltas camponesas, apoiadas pelos burgueses, tornaram-se freqüentes em toda a Europa.

A burguesia, que já havia abalado todas as bases de sustentação do sistema feudal , começou a escrever então um novo capítulo na história do mundo ocidental: nascia o capitalismo.

Para entender como é que funciona hoje o capitalismo, vamos voltar no tempo e desembarcar diretamente no século XVIII, num ponto qualquer  da Europa. Aí, então, veremos direitinho como é que começou a nascer o capitalismo, das cinzas do regime feudal.

Enquanto durou o feudalismo, o trabalho assalariado era muito raro, mas o crescimento das cidades e o desenvolvimento do comércio entre os países exigiam uma produção em escala maior e mais rápida de mercadorias, e os comerciantes tinham acumulado riquezas que eles podiam usar para a instalação de fábricas. 

Assim, em vez de comprar dos artesãos o que eles faziam, esses comerciantes resolveram produzir diretamente as mercadorias. Para isso, o comerciante precisava construir um galpão, comprar máquinas, ferramentas, adquirir as matérias-primas e contratar trabalhadores. Estava formada uma empresa industrial.

Agora já podemos entender duas das principais características do capitalismo: o trabalho assalariado, que antes não era muito comum, e a aplicação do capital de alguém numa atividade produtiva.

Quando falamos em capital, não estamos nos referindo somente a dinheiro. O capital de uma empresa é formado pelo dinheiro que o empresário investe, pelas  máquinas que ele compra para fazer algum produto e pelas mercadorias que ele usa para fabricar outras mercadorias.

E nós chamamos de mão-de-obra o conjunto dos operários contratados para trabalhar na fábrica.

O operário trabalha em troca de um salário, que deve ser suficiente para ele se alimentar e à sua família, pagar a casa onde moram, comprar roupas, etc. Ou seja, o salário é garantia de que o trabalhador poderá repor a sua energia que usou na fábrica.

Atualmente,  não muito diferente daquele tempo, a Constituição Federal de 1988,  em seu artigo 6º estabelece: são direitos sociais do cidadão, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.

Como vemos, o trabalho  tem  como forma de recompensa um salário, que deve ser suficiente para atender as necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua  família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo.